sábado, 28 de fevereiro de 2015

joão, andando pelo abismo - 02

    Meu filho, quando lhe disserem que você é especial... Não precisa nem desconfiar. É encrenca na certa!!
    Naquele tempo era difícil. Tava ruim a situação. Tinha nem pra ex-vigilante. Tinha acabado de voltar do sanitário, digo... Sanatório. E eu não trabalhava com saneamento. Eu era louco mesmo. Pirado. Virava o lugar... Depois pirei que o lugar era um beco e que eu tava num asilo de inimigos da máfia.
   Mais depois que eu sai, eu fui passear, né? Num cabaré, num boteco, bater na cara de alguém, fazer amor (porque no cabaré ninguém vai pra isso) com uma mulher legal (que é mais fácil que no cabaré). Comprei um brinquedinho (9mn) e fui visitar uns amigos que (in)felizmente tinham se mudado (pro andar de baixo), passei na casa dos meus pais (no cemitério municipal) e assisti um filme (que não me lembro).

     Mais eu precisava de um emprego. Qualquer coisa entre gigolô e assassino de aluguel tava ótimo. Se bem, que do jeito que eu tava, eu era é assassino comprado. Eu ainda cheguei a andar perto de um restaurante granfino com uma placa: "Capanga desempregado. Furioso e assassino. Aceito trabalhar por casa e comida". Serio. Mais tudo mudou... Pra pior como sempre.
    Eu estou lá, elegante em uma roupa emprestada (de um recém falecido, amigo meu) e um moça que estava com um mafioso, vem e me chama prum canto. "Essa ai ta querendo me fuder". foi dito e feito. Ela queria me contratar pra me fazer segurança... Em uma base ultra-secreta da máfia, e de tecnologia. Que Trabalho!?
    Meu filho em traz água... Glut, Glut, Glut. Eu tinha acabado de matar meu primeiro. me veio um cara e disse. faz a segurança do cais que eu te boto por dentro das gangues.
    -Serio? Galha dinheiro?
    Ele ta me olhando com uma cara de sacana:
    -Tem coisa melhor que dinheiro...

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