quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

João, andando pelo abismo - 01

    Engraçado aquele dia...
    Eu estou em um barzinho perto da prefeitura. Marquei com uma moça. A secretaria do assistente do prefeito. Ela ainda não chegou está mais que atrasada. Deve estar com problemas ou sei lá que. Eu ate estou meio que pensando em tentar ligar pra casa dela. Que besteira. Ela não esta em casa...
    Quando estou me levantando o garçom pergunta se quero conta. Pobre homem se dissesse que vou sair para telefonar acharia que sou caloteiro. Nunca vim neste restaurante. Lugar humilde e elegante ate parece com aqueles restaurantes de "mafiosos de filme”. Sorrio sozinho.
   Pela porta entra uma mulher acompanhada de um homem elegante. E a mulher alegre. Parece que esta comemorando algo. O homem olha com cuidado todo o ambiente com um ar de majestade, já é freguês do lugar. Puxa uma cadeira na minha frente e se senta olhando pra mim. Desconfiado que a conhecesse. Já vi muito disso; o sujeito traz a amante pra sair em um lugarzinho pequeno e que ninguém os conheça.

   Os dois se sentam e pedem vinho. Sem marca ou data, querem beber, e eu abaixo a cabeça e escrevo no meu bloquinho de notas... Poesia ou qualquer coisa. Ao menos tentei.

"As flores do jardim
as rosas que você plantou
e os cravos que lhe pedi

hoje esse jardim somos nos
plantados para alguém
todos olham
e você me poda

como se fossemos o sol
ou se a noite pudesse ouvir
dizia: "que belas flores"
e essas flores sãos você.

   Quebrei a cabeça com esse poema. Agora sei porque não fiz literatura. O casal da mesa da frente agora falam alto. já estão bêbados. Eu também, só que, de amargura e decepção. Gostava tanto daquela menina... de alguma maneira essa poesia é ela.

    Continua aqui, é so clickar.

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